VOA 2017 - 4, 5 e 6 de Agosto - Quinta da Marialva

"Apocalyptica, Epica, The Dillinger Escape Plan, Childrain e Colosso adicionados ao cartaz.
Palco secundário com curadoria da revista LOUD!"

Com regresso agendado para o Parque Urbano Quinta de Marialva nos dias 4, 5 e 6 de Agosto, o VOA – HEAVY ROCK FESTIVAL adiciona agora mais cinco nomes de referência a um cartaz que, como comunicado no passado mês de Dezembro, conta já com a presença dos norte-americanos TRIVIUM, DEATH ANGEL e OBITUARY, dos finlandeses INSOMNIUM, dos espanhóis KILLUS e dos portugueses TERROR EMPIRE. Solidificando ainda um pouco mais o conceito de diversidade que desde sempre dominou o evento, vão passar também pelo palco do anfiteatro de Corroios os muito aplaudidos finlandeses APOCALYPTICA, que regressam a Portugal, desta vez para, com toda a pompa e circunstância, comemorarem o vigésimo aniversário do aclamado álbum de estreia, «Plays Metallica By Four Cellos»; os holandeses EPICA que, após dois espetáculos arrebatadores há três anos, vão aproveitar a ocasião para mostrar ao vivo toda a força do seu mais recente álbum, «The Holographic Principle»; e os norte-americanos THE DILLINGER ESCAPE PLAN que, já na sequência da edição do explosivo «Dissociation», andam em tour pelo mundo a despedir-se da sua vasta legião de fãs antes de colocarem um ponto final numa carreira brilhante. A reforçar a presença ibérica no cartaz, os espanhóis CHILDRAIN e os lusos COLOSSO prometem dar conta do excelente estado em que se encontra hoje o underground da península.

Pelo primeiro ano, e aproveitando o crescimento do evento para três dias, o VOA – HEAVY ROCK FESTIVAL vai alargar a sua programação a um segundo palco, que contará com curadoria da revista LOUD! – do rock'nroll ao death/black metal, passando por todas as vertentes e subgéneros da música pesada e extrema, a mais antiga publicação mensal dedicada aos sons pesados em território nacional pretende fazer deste espaço uma mostra do que de melhor se tem produzido por cá nos últimos anos.

Quando surgiram “em cena”, corria o ano de 1996, os finlandeses APOCALYPTICA eram a verdadeira anomalia. Se não um projeto impensável, um conceito meio inusitado para a grande maioria do público que tinham como alvo. Bem vistas as coisas, o mais estranho ainda é que, antes de Eicca Toppinen, Max Lilja, Antero Manninen e Paavo Lotjonen, quatro jovens roqueiros e violoncelistas com formação erudita, ninguém tivesse tido a brilhante ideia de fazer algo do género. É certo e sabido que o heavy metal e a música clássica têm, desde sempre, mais em comum do que o melómano menos dado a extremismos gosta de admitir, por isso... A ideia de ver quatro músicos com formação clássica a fazerem versões de temas de heavy metal acabava por fazer todo o sentido. Neste caso, começaram por dar novas roupagens a originais dos Metallica e, com o álbum de estreia «Plays Metallica By Four Cellos», encantaram plateias por esse mundo fora com as suas interpretações muito próprias de êxitos como «Enter Sandman», «Master of Puppets» e «The Unforgiven». Entretanto passaram-se mais de duas décadas, os músicos alargaram o seu repertório a material dos Sepultura, dos Pantera e dos Faith No More, entre outros, começaram a compor também os seus próprios originais, mudaram de formação e, em álbuns como «Reflections» «Worlds Collide» ou «7th Symphony», encetaram colaborações com músicos tão respeitados como Dave Lombardo, Til Lindemann e Joe Duplantier, dos Slayer, Rammstein e Gojira, respetivamente. Pelo caminho, enquanto iam desenvolvendo uma identidade muito além da “banda de covers” glorificada pelo exotismo, conseguiram estabelecer-se também como um fenómeno de massas, subindo às tabelas de vendas e marcando presença nos palcos dos grandes festivais. O último registo de estúdio do grupo chama-se «Shadowmaker» e foi editado há dois anos, mas em 2017 os músicos vão redescobrir as suas raízes, com uma tour de comemoração do 20º aniversário de «Plays Metallica By Four Cellos», que inclui por fim a estreia no VOA.

Quase duas décadas depois de terem dado os primeiros passos pela mão do guitarrista e mentor Mark Jansen, pouco tempo depois de ter abandonado os também muitíssimos aplaudidos After Forever,a popularidade dos EPICA não dá mostras de abrandamento. Destacando-se desde muito cedo, não só por serem tão influenciados pelo rock como pela corrente sinfónica do metal, mas pela paixão que Jansen nutre pelas épicas bandas-sonoras compostas por nomes como Danny Elfman e Hans Zimmer, o grupo – cuja formação fica hoje completa com a carismática e talentosa Simone Simons na voz, Issac Delahaye na guitarra, Coen Janssen nos teclados, Rob Van Der Loo no baixo e Arien Van Weesenbeck na bateria – gravou uma sequência de álbuns irrepreensíveis, da estreia «The Phantom Agony» ao mais recente «The Holographic Principle», do ano passado, que lhes valeram elogios rasgados por parte da imprensa especializada e dos fãs. Garantindo lugar de destaque nas tabelas de vendas de países como Alemanha, França, Áustria, Suíça, Finlândia, Bélgica e até Portugal, são hoje porta-estandartes incontestados do fenómeno female fronted metal, neste caso em particular um poderoso e envolvente híbrido de thrash/death e heavy/power metal sinfónico. Uma proposta de exceção que, numa tendência dominada por exuberantes vocalizações femininas e sons orquestrais, tem mostrado saber exatamente como progredir e evoluir renunciando aos clichés.

Caos. Confusão. Barulho. Dissonância. Matemática. Perigo. É disso tudo que tem mesmo de se falar ao mencionar o nome dos icónicos THE DILLINGER ESCAPE PLAN, um dos grupos mais inovadores e desafiantes surgidos no espectro da música extrema na reta final do Séc. XX. Construídos de fibra punk/hardcore, movidos a adrenalina e abençoados com uma arrogância muito própria de instrumentistas muito jovens, mas exímios na arte de debitar notas, solos e batidas à velocidade da luz, o quinteto de Nova Jérsia afirmou-se desde cedo como uma proposta incomum com uma explosiva mistura de pós-hardcore, metal, arranjos alucinados e quebras rítmicas com mais em comum com o free jazz do que com qualquer categoria do rock. Apesar de terem em bandas como Converge, Cave In ou Botch verdadeiras almas gémeas, foram os primeiros a chegar a uma audiência mais vasta graças a um contracto com a Relapse e, na senda do lançamento de bombas refratárias como «Under The Running Board» e «Calculating Infinity», o underground não mais voltou a ser o mesmo. A dada altura não havia metrópole europeia que não tivesse, pelo menos, um clone da máquina demolidora formado por Ben Weinman e companhia. Talvez por isso, a partir do exato momento em que colaboraram com o camaleónico Mike Patton no EP «Irony is a Dead Scene» e acolherem Greg Puciato como vocalista permanente em «Miss Machine», não mais voltaram a deixar de trocar de pele a cada novo passo. Álbuns como «Ire Works», «Option Paralysis» ou «One Of Us Is The Killer» mostraram-nos a explorar toda a elasticidade do seu som e, entre várias peripécias e algumas mudanças de formação, cimentaram-nos como uma das mais respeitadas bandas de peso da geração pré-MySpace. Surpresa das surpresas, em 2016 decidem anunciar um ponto final do seu percurso, mas não sem antes lançarem o explosivo «Dissociation» e embarcarem numa digressão de despedida pelo mundo. Portugal, desta vez, não vai ficar de fora.

Formados em Vitoria-Gasteiz corria o ano de 2008, os CHILDRAIN são um jovem quinteto que pratica um estilo de metal moderno, cujas influências abarcam desde os primeiros discos dos Metallica até aos Lamb of God, combinado essas referências de peso com uma clara devoção pelo hardcore melódico dos 90s. Surgiram em cena em 2009 com o seu primeiro registo de estúdio, um EP intitulado «A Place Between Hell and Heaven», hoje em dia totalmente esgotado. Dois anos e muitos espetáculos depois, editam por fim o que seria o seu longa-duração de estreia, «Life Show». Revelando uma ética de trabalho forte e o delinear de uma identidade cada vez mais própria, os dois discos foram recebidos com rasgados elogios pela imprensa especializada e, ao longo da sua curta mas muito promissora carreira, o quinteto formado por Iñi na voz, Iker e Álvaro nas guitarras, Rodri no baixo e Mikel na bateria, partilhou palcos com bandas de nomeada como Napalm Death ou Hatebreed afirmando-se paulatinamente como uma das mais excitantes propostas saídas do país vizinho. Segue-se então a edição do terceiro e quarto álbuns, «A Fairy Tale for the Dissent» e «Matheria», em 2013 e 2015, respetivamente, com a banda a cimentar de vez a sua, aparentemente imparável, ascensão no movimento underground de nuestros hermanos.

Os COLOSSO são uma banda de death metal progressivo e começaram a tomar forma, na cidade do Porto, como um projeto a solo de Max Tomé que, desde bem cedo, traçou as linhas do conceito a explorar – música intensa, sem fronteiras estilísticas ou filosofias específicas. Em 2011, Max convidou o francês Dirk Verbeuren (ex-Scarve e Soilwork, atualmente nos Megadeth) para gravar as partes de bateria para a estreia «Abrasive Peace», registando ele próprio todos os outros instrumentos e a voz. Entretanto, o multi-instrumentista já tinha contactado também Marcelo Aires, ex-Oblique Rain, que acabaria por ocupar a posição atrás da bateria como elemento permanente. A primeira formação do grupo ficaria completa escassos meses depois, com André Lourenço no baixo. Com a química entre o trio a crescer, infelizmente a banda viu-se impossibilitada de tocar ao vivo aquando do lançamento de «Abrasive Peace», em Março de 2012; o que fizeram foi concentrar-se na composição do EP «Thallium» e, durante o processo de gravação, António Carvalho aceita o convite para integrar o projeto na guitarra. Com esta formação expandida, focam-se por fim nos concertos durante grande parte de 2013. Durante o ano seguinte, já após o lançamento do duplo-single «Foregone Semblances», André Macedo junta-se ao grupo na voz e, ainda antes do ano chegar ao fim, começam a compor o terceiro álbum, que seria editado, sob o título «Obnoxious», a 9 de Setembro de 2016.

Os bilhetes custam 65 euros (passe três dias) e 35 euros (bilhete diário), à venda nos locais habituais.