SAINT VITUS A ESTREIA EM PORTUGAL

 

 

13 de Outubro - RCA CLUB (Lisboa)
Abertura de portas: 20h00 - Início do espetáculo: 21h00
1ª parte: Orange Goblin

Três colossais décadas e meia depois de terem dado os primeiros passos, os lendários SAINT VITUS estreiam-se finalmente em solo lusitano com um concerto em nome próprio, agendado para o dia 13 de Outubro no RCA Club, em Lisboa. Na bagagem, os pais do doom metal norte-americano trazem um dos seus álbuns mais emblemáticos de sempre, «Born Too Late», que – em jeito de celebração – vão interpretar na íntegra, em conjunto com muitas outras canções emblemáticas de uma discografia sem momentos mortos. Para tornar a noite ainda mais interessante, os quatro músicos norte-americanos fazem-se acompanhar pelos britânicos ORANGE GOBLIN, outra referência da música pesada e lenta. Herdeiros diretos da herança Black Sabbath, são hoje em dia um dos mais consensuais representantes do estilo no velho continente e isso notou-se em cada uma das suas anteriores passagens por Portugal, com Ben Ward e companhia a serem acarinhados em uníssono e a servirem de banda-sonora a noites para mais tarde recordar.

Qualquer apreciador de doom metal, ou de música lenta e pesada em geral, deveria conhecer os SAINT VITUS. Obrigatoriamente. Num estilo musical que se poderia descrever como “feito por falhados para outros falhados”, a banda de Dave Chandler e Scott "Wino" Weinrich sempre foi das mais injustamente ignoradas; underdogs numa tendência que, quando surgiu durante a década de 80, não gozava sequer de metade da atenção e dos aplausos que a granjeiam agora. Para isso trabalharam durante décadas gozando de um mínimo de notoriedade, enquanto pelo caminho assinavam alguns hinos incontestáveis do género que personificam. Não é difícil imaginar o quão isolados se sentiram em plena década de 80, numa altura em que, basicamente, só existiam dois tipos de metal: o thrash e o glam. O primeiro ia tornando-se cada vez mais rápido e saturado de clones, o segundo foi afundando-se numa montanha feita de spandex, demasiada laca no cabelo e doses massivas de bourbon no estômago. Não estranhos ao uso e abuso de substâncias mais ou menos legais – as histórias de “Wino” nesta fase são lendárias – os SAINT VITUS eram claramente feitos de uma matéria diferente.

Lentos, alimentados a drogas, ainda a feder aos 70s, californianos mas condenados à vida e perdidos no tempo, injetaram psicadelismo Hendrixiano a riffs da cartilha Iommi, alienando a Sunset Strip com as suas canções de miséria, bebedeiras e zombies, mas acabaram por transformar-se num verdadeiro culto entre os devotos do riff. Os SAINT VITUS são, como eles gostam de apregoar aos quatro ventos, músicos daqueles que nasceram tarde demais e que têm um enorme orgulho nisso. Não é de estranhar que, aproveitando uma ocasião que se quer festiva, optem por comemorar trinta e cinco anos de carreira interpretando na íntegra um dos registos mais aplaudidos e influentes do seu já longo percurso. Editado originalmente em Outubro de 1986, «Born Too Late» é o terceiro álbum do quarteto de Los Angeles e o primeiro a contar com o incomparável “Wino” na voz, materializando aquela que, hoje, é vista como a sua formação clássica. Ouvidos tantos anos depois, temas como «Born Too Late», «Dying Inside» ou «H.A.A.G.» provam-nos que, ao contrário do que é habitual dizer-se, o tempo jamais será um inimigo de músicos que escrevem canções intemporais.

Os bilhetes para o concerto custam 20€, à venda, a partir do dia 5 de Maio, nos locais habituais. Reservas: Ticketline (1820 - http://www.ticketline.sapo.pt). Em Espanha: <ahref="http: www.breakpoint.es="" "="" target="_blank">Break Point.


BIOGRAFIA SAINT VITUS:
A já lendária história dos SAINT VITUS começou no ano de 1978, quando o guitarrista Dave Chandler, em conjunto com Armando Acosta na bateria e Mark Adams no baixo, começaram a ensaiar. Depois de experimentar outros dois vocalistas, a banda fica finalmente completa com a entrada de Scott Reagers para a voz. Em Agosto de 1979, o quarteto dá o primeiro concerto e, no ano seguinte, adota o nome Saint Vitus, inspirado pela canção «St. Vitus Dance», incluída no «Volume 4» dos Black Sabbath. Com os fundadores do doom metal inglês a serem uma influência tão forte na sonoridade do grupo como os heróis do punk/hardcore norte-americano Black Flag, foi uma enorme honra para os músicos de Los Angeles serem contratados por Greg Ginn, guitarrista destes últimos, para a sua editora independente, a SST. Depois de dois anos a ganhar experiência com concertos no circuito punk da Costa Oeste, a banda faz a sua primeira digressão em Dezembro de 1984, ao lado dos Black Flag. Na altura já o álbum de estreia, «Saint Vitus», tinha sido editado, seguido rapidamente pelo segundo longa-duração e por um EP («Hallow's Victim» e «The Walking Dead», ambos de 1985). Com o thrash em ascensão, o som ultra-pesado dos SAINT VITUS foi acarinhado apenas pelos conhecedores mais atentos do movimento doom, uma pequena mas dedicada franja do underground. Talvez por isso, Scott Reagers abandona em 1986, mas o seu movimento inesperado acaba por ser tudo menos um problema para os sobreviventes.

A contratação de Scott "Wino" Weinrich revelou-se uma cartada de génio, com o guitarrista e vocalista dos igualmente lendários The Obsessed a transformar-se rapidamente na “voz” dos SAINT VITUS para a quase totalidade dos seus seguidores. Aquando do abandono súbito de Reagers, Dave Chandler já tinha escrito uma boa parte de «Born Too Late», mas em vez de entrar de imediato em estúdio, o grupo esperou até o seu novo frontman estar confortável com as novas músicas. O álbum, editado em 1986, captou de uma vez por todas a atenção do fervilhante underground, especialmente além mar e o tema-título é, desde então, um dos grandes hinos do doom. Seguiram-se o EP «Thirsty And Miserable» (de 1987) e o álbum «Mournful Cries» (de 1988), o último para a SST. Com o trabalho duro a começar a dar frutos, o quinto longa-duração, apropriadamente intitulado «V», é lançado em 1989 pelo famoso selo alemão Hellhound Records e, com o falatório gerado pela gravação ao vivo «Live» um ano depois, o interesse em relação ao quarteto começou a crescer consideravelmente, primeiro na Europa e depois no Reino Unido. No momento em que o horizonte estava finalmente a clarear, “Wino” decide deixar a banda em 1990 e pegar de novo nos The Obsessed, uma opção que se revelou um sério golpe para Chandler e companhia.

“Wino” foi substituído primeiro por Christian Lindersson dos irmãos espirituais suecos Count Raven e foi com ele no microfone que gravaram «COD» em 1992. O disco, produzido por Don Dokken, recebeu aplausos da crítica, mas apesar da receção calorosa, a banda permaneceu pouco ativa. Dois anos depois reúnem-se com Scott Reagers, o vocalista original, gravando de seguida «Die Healing», mas a saúde precária do músico leva ao final prematuro de uma tour europeia e, para desespero da sua leal e já considerável legião de fãs, o fim da história dos SAINT VITUS parecia estar ao virar da esquina. Só em 2003 dão novos sinais de vida, com a formação clássica – Dave Chandler, Scott “Wino” Weinrich, Mark Adams e Armando Acosta – a reunir-se para apenas dois espetáculos, um em Chicago e outro no proeminente festival alemão With Full Force. Seis anos depois, o quarteto volta a juntar-se para atuar no Roadburn e embarca numa mini-digressão pela Europa, que acaba por ter um final trágico. A 25 de Novembro de 2010, já depois do regresso aos Estados Unidos, Acosta falece vítima de vários problemas graves de saúde.

O primeiro concerto dos SAINT VITUS com Henry Vasquez, companheiro de Chandler nos seus Debris Inc, acontece no Hellfest, frente a uma enorme multidão que testemunhou a atuação de estreia do substituto do malogrado Armando Acosta. No início de 2012 o grupo assina contrato com a Season of Mist, que edita «Lillie: F- 65», em Abril. Vinte e três anos depois da última gravação com “Wino”, dezassete desde o último álbum e nove após a reunião, os SAINT VITUS assinaram mais uma obra-prima que consolidou o seu estatuto como verdadeiros ícones do doom. No Verão de 2013, a Season of Mist reedita «COD» e «Die Healing», dando aos fãs mais recentes a oportunidade de descobrirem um fundo de catálogo exemplar. Em 2014, o quarteto comemora o 35º aniversário com duas digressões, primeiro nos Estados Unidos e depois na Europa, em que vão interpretar na íntegra o marcante «Born Too Late».

BIOGRAFIA ORANGE GOBLIN:
Inspirados pelos deuses do hard rock, do heavy metal, do punk rock e do underground extremo, dos Black Sabbath aos Motörhead e Thin Lizzy, passando por Celtic Frost, Danzig e Black Flag, os ORANGE GOBLIN foram vistos como esperanças da explosão stoner rock dos 90s a partir do momento em que se arrastaram pela primeira vez no subsolo do Soho londrino. No entanto, depressa se tornou evidente que esta banda era mais que um boogie de olhos vermelhos e calças à boca de sino. Ao longo de uma carreira só comparável a uma viagem de montanha-russa, a banda provou ser uma das forças mais consistentes e persistentes da música pesada moderna, acumulando uma lista de álbuns que rivaliza com qualquer coisa lançada no mesmo período. Da indisciplinada e exuberante estreia em 1997 com «Frequencies From Planet Ten» à insanidade multi-estilística, mas contundente, de «Healing Through Fire», de 2007, os músicos londrinos construíram um percurso à custa de canções arrebatadoras de heavy metal furioso e carregado de groove, da primeira batida ao último riff.

No entanto, é como banda ao vivo que os ORANGE GOBLIN construíram a sua reputação intocável. Party animals que sabem exatamente como atrair o público, já fizeram digressões por todo o mundo e partilharam o palco com inúmeros nomes grandes, entre os quais se contam Black Sabbath, Clutch, Alice Cooper, Motörhead, Sex Pistols e Queens Of The Stone Age, entre muitos outros. Com concertos esgotados no CBGB, em Nova Iorque, no Troubadour, em Los Angeles, e um pouco por todo o mundo, também conseguem surpreender num palco maior, com passagens de sucesso em festivais de prestígio como o Sonisphere, o Download, o Hellfest, o Bloodstock, o Roadburn, o Dynamo e até o Maryland Deathfest. Um espetáculo do quarteto é, como o público nacional que teve oportunidade de assistir a qualquer uma das suas diversas passagens pelo nosso país, garantia de um momento bem passado; sendo que para isso basta pegar numas cervejas e preparar os músculos do pescoço.

Sempre em crescendo, a “máquina de guerra” comandada por Ben Ward na voz, Martyn Millard no baixo, Joe Hoare na guitarra e Chris Turner na bateria alcançou todo um novo pico de criatividade e intensidade com «A Eulogy For The Damned», em 2012. O álbum foi aclamado pela crítica e votado terceiro “melhor disco do ano” pela revista britânica Metal Hammer, com os ORANGE GOBLIN a serem também eleitos como “melhor banda” pelos leitores da Terrorizer. Em 2013 é editado «A Eulogy For The Fans – Orange Goblin Live 2012», o primeiro registo ao vivo, ao que se segue uma tour mundial. A maior da carreira do grupo até à data contabilizou 161 concertos, em 28 países diferentes, incluindo uma primeira viagem à Austrália, duas tours completas dos Estados Unidos e um passeio de três meses pelo Reino Unido e Europa. Neste momento a banda está de volta ao estúdio, a terminar o sucessor de «A Eulogy For The Damned» antes de embarcar em mais uma viagem em redor do globo.

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Fonte: PRIME ARTISTS