Festival Laurus Nobilis Music Famalicão 2018

 Festival Laurus Nobilis Music Famalicão 2018


Texto: Margarida Salgado

Fotos: Pagina oficial Laurus Nobilis Music

Nos dias 26, 27 e 28 do passado mês, tivemos a 4ª edição do Festival Laurus Nobilis Music Famalicão. Este evento realizado na freguesia do Louro com o objetivo de angariação de fundos para a construção da Casa do Artista Amador, contou com muita música e convívio. Para quem não conhecia este festival foi uma agradável surpresa tanto em relação ao espaço como à sua organização. Este ano o evento contou com a presença de 10000 pessoas.

 Não se pode dizer que os acessos são dos melhores, mas sem dúvida que compensa quando nos deparamos com o local. Uma paisagem verdejante a perder de vista. Acesso complicado também na estreita passagem do estacionamento gratuito, mas ao qual não faltava espaço após entrar.

 Logo no início do recinto tínhamos a zona de " chill out " onde se encontrava a restauração com uma grande esplanada virada para o palco Estrella Galicia que se encontrava ao fundo desta ampla área.

Para consumir nesta zona era necessário trocar-se dinheiro por uns pitorescos cartões que nos faziam lembrar as notas de Monopólio. Praticamente toda a restauração tinha multibanco que muito serviu aos mais desprevenidos.

 Ao lado do palco Estrella Galicia tínhamos ainda o palco Faz a tua Cena onde, após inscrição previa, qualquer artista ou banda poderia apresentar o seu trabalho.

 Nas traseiras do palco Estrella Galicia encontrava-se o acesso para o wc e a zona do campismo gratuito, para o qual poderia fazer-se o check-in antecipado. Um dos pontos a ser melhorado em futuras edições uma vez que a afluência aumentou exponencialmente.

 O palco Porminho era o palco de acesso restrito, situado num recinto próprio à direita onde estava situada a zona de merch. Este palco só funcionou na sexta e sábado.

 O funcionamento de ambos os palcos foi feito de forma revezada, dando-nos assim a hipótese de acompanharmos todas as bandas que por lá passaram.

 

A abrir as festividades tivemos os Atreídes, a banda espanhola de heavy/melodic metal que tocou para um parco publico. Com uma atuação simpática e animada conseguiram cativar assim a assistência.

 Os Booby Trap entraram em palco de forma enérgica e dispostos a conquistarem os presentes com a sua sonoridade mesclada de thrash /hardcore /crossover. E o objetivo foi alcançado com sucesso, pois foi impossível ficar indiferente à descarga vinda do palco desta banda de Aveiro.

 Em Cruz de Ferro o relvado já se encontrava ligeiramente mais preenchido e assim ficou até ao encerramento. Com uma entrada épica e cantando sempre na lingua-mãe, esta banda de heavy metal de Torres Novas anda por terras lusas a promover o EP Imortal e o álbum Guerreiros do Metal editado o ano passado. Agora com a participação de Riccardo Teixeira na segunda guitarra.

 Para concluir as atuações tivemos os Infraktor de Santa Maria da Feira. A banda de thrash/death metal premiou-nos com uma performance exemplar conquistando o público que se rendeu de forma evidente no final com a cover de Strength beyond Strength dos Pantera.

 DJ Nattu foi a opção escolhida para terminar este dia.

 

 

O segundo dia teve início no palco Estrella Galicia com Sotz. Esta banda de metalcore/melodic/death metal portuense anda a promover o seu EP Tzak’ Sotz lançado em Outubro do ano passado. Este início de dia contou com uma quantidade similar de pessoas com que tinha terminado na noite anterior. Apesar de tudo a banda foi bem recebida e ainda podemos assistir a um mosh tímido nas ultimas músicas.

 Continuando no mesmo palco seguiram-se In Vein. Vindos de Paços de Ferreira com o seu death/groove metal mostrando todo o poder e agressividade de Resurrect. O público retribuiu com alguns circle pits e ainda uma wall of death. Esta banda continua a surpreender positivamente tanto na sonoridade como na consistência.

 Os lisboetas Nine o Nine é uma banda rock/metal que já dispensa apresentações pela sua constituição como ficou provado nesta atuação marcada por The Time Is Now. A solidez e capacidade técnica dos seus membros é visível e partilhada garantindo-nos um concerto de primeira.

 A honra de abrir o palco Porminho  este ano coube aos setubalenses Hills Have Eyes que se encontram a preparar um novo trabalho. Quem conhece esta banda de metalcore sabe bem que não deixam o seu "crédito por mãos alheias". Com uma capacidade inquestionável de agarrar o público devido à sua experiência e energia, esta atuação mostrou uma vez mais a razão pela qual é tão apreciada. Never Quit e Pinpoint são sem dúvida as duas malhas que provam a empatia existente ao serem cantadas por banda e público, que a esta altura já era considerável.

 Equaleft foram os senhores que se seguiram com a presença de André Matos no baixo. Aproveitando o entusiasmo presente no público, a banda portuense de groove/progressive metal manteve-o motivado e participativo com toda a sua garra. A esta altura já havia bastante movimento de circle pit que culminou com o crowdsurfing de Miguel Inglês enquanto interpretava Maniac. Um desempenho sem dúvida inesquecível.

 Septicflesh foram os deuses da noite de eclipse. Se nos sentíamos felizes com as atuações anteriores, Septicflesh vieram acrescentar um novo nível de deleite. A banda grega de symphonic/ death metal tem um número cada vez maior de seguidores em Portugal e as razões estão à vista. Um concerto impressionante e avassalador marcado por momentos mais emotivos com a referência à tragédia dos incêndios do seu país, dedicando o tema “Dante’s Inferno” às vítimas e convidando à união das energias presentes. O momento marcante da noite!

 Mata Ratos trouxeram a festa de sempre. Este nome incontornável do rock/punk português já não precisa que ninguém lhe diga como pôr o publico a mexer. E assim seguiu a farra durante todo o seu desempenho com mosh e copos de cerveja a voar terminando com a reconhecidíssima A minha sogra é um boi. Estavam assim encerradas as atividades no palco Porminho esta noite.

 Foi então altura de regressarmos ao palco Estrella Galicia para ouvirmos Web, a banda portuense de thrash/doom/progressive metal que ainda conseguiu manter grande parte do público apesar de já se verificar algum cansaço.

 Os resistentes puderam ainda contar com António Freitas para animar a restante noite.

 O terceiro e último dia começou com a banda sintrense Legacy of Cynthia no palco Estrella Galicia. Também esta banda alternativa se encontra neste momento a trabalhar num álbum novo do qual tivemos oportunidade de ouvir dois temas. Tanto o nome dos temas como do álbum se mantem no segredo dos Deuses para já, tendo a segunda música sido temporariamente batizada pelo Caeser Craveiro de Judite Sousa. Apesar de ainda muita gente estar por chegar, a banda já tem os seus seguidores fiéis que fizeram questão de marcar presença. Ficamos ansiosos pelo novo trabalho!

 Os Palmelenses Low Torque entraram de seguida para partilhar o seu rock/stoner. Ainda com Chapter III: Songs from the Vault bastante presente a banda partilhou aquela energia em palco a que já nos habituou conquistando assim os presentes.

 Com Revolution Within a plateia já se encontrava bastante mais composta e pronta para o thrash metal de Santa Maria da Feira. Com o público mais animado pudemos assistir a algum mosh e circle pit formado durante quase toda a atuação enquanto fazíamos uma viagem por temas mais esquecidos. Contamos ainda com a participação de Diogo Pardal dos One Step to Fall no tema Pull The Trigger. Esta é sem dúvida daquelas bandas que não deixa ninguém indiferente!

 O palco Porminho foi aberto com a fantástica exibição dos The Temple. Também eles mostraram que não andavam aqui há dois dias e desde cedo que agarraram o público com o seu rock/punk/hardcore que respondeu com muito headbanging e muita poeira no ar. O War Dance continua a ser aquele momento mítico em que vemos 4 dos 5 elementos a tocar a mesma bateria de forma sincronizada quase como uma dança. Uma poderosa atuação.

 Os Crisix aumentaram ainda mais o nível de energia e cumplicidade com o público. Com uma boa-disposição contagiante, estes thrashers espanhóis não fizeram prisioneiros. Imparáveis, não permitiram tão pouco que o público afrouxasse ou descansasse, proporcionando uma viagem "prego a fundo" a todos os presentes e onde inclusive assistimos a uma troca de instrumentos entre os elementos para nos dar uma espécie de medley/cover com Beastie Boys, Pantera, Rage Against The Machine e Metallica. O circle pit esteve ao rubro e o crowdsurfing foi dominado por B.B. Plaza e Albert Requena enquanto tocavam Ultra Thrash. Que brutalidad, hermanos!

 Seguidamente os lendários Tarântula, a banda de heavy metal de Valadares. O concerto em si foi um tributo à vasta carreira da banda que nos levou numa viagem emocional visitando alguns dos seus temas mais marcantes ao longo da sua existência e à qual o público não deixou de prestar a devida reverência. Hail!!

 Em Dark Tranquility podemos constatar o nível de afluência ao festival. Era sem dúvida a banda mais aguardada ou não tivesse ela uma legião de fans no nosso país. Vindos da Suécia com o seu gothic/death/melodic metal presenteou-nos com uma qualidade máxima tanto no som como na imagem.  Miserys Crown foi o tema de despedida em que Mikael Stanne partilha um longo abraço com o público visivelmente satisfeito com a prestação. Foi sem dúvida um concerto mágico.

Estavam assim encerradas as actividades deste ano no palco Porminho.

 Voltando ao palco Estrella Galicia e a terminar as atuações deste festival tivemos The Godiva, a banda de death metal de Vila Nova de Famalicão que lançou recentemente o single Empty Coil após um hiato de 8 anos. Os filhos da terra ainda conseguiram reunir uma acentuada plateia apesar da fadiga dos 3 dias.

 DJ Nattu foi novamente a opção escolhida para terminar este festival.

 O balanço é extremamente positivo e quem foi ficou com vontade em voltar. Existem sem dúvida oportunidades de melhoria, mas o festival neste momento já deixou a sua marca e será uma hipótese a considerar futuramente no calendário dos metaleiros.

 

Eu não faltei!!