Entrevista Gwydion

Gwydion em Entrevista ao Som do Rock


Por: Margarida Salgado

Fotos: Facebook da Banda 

Estivemos a conversar com os Gwydion após a apresentação do novo trabalho no RCA Club.

 

SR: Como correu hoje a apresentação do novo trabalho?

 Miguel Kaveirinha: Esgotados, mas com a missão cumprida. Conseguimos aqui mostrar o nosso álbum. Não o apresentamos na íntegra, tocamos alguns temas mais antigos e mais clássicos, mas de alguma forma conseguimos mostrar o que está feito.

 Bruno Henriques: Sim. Dar uma ideia do que está feito e deu para divertir. Foi um concerto bastante intimista.

 Pedro Correia: Sim, divertimo-nos e o pessoal alinhou connosco.

 

 

SR: Porque a decisão de tocar temas mais antigos e não o álbum todo na integra?

 Miguel Kaveirinha: É sempre difícil. Nós já temos 4 álbuns editados e é normal que as pessoas queiram ouvir os clássicos. O tempo que temos disponível e aquilo que queríamos fazer acabamos por misturar alguns dos temas antigos, mais clássicos, acabamos por fazer esses caminho. É quase impossível fazer um concerto sem essas músicas, as pessoas pedem-nos.

 Bruno Henriques: E há músicas que não resultam tanto ao vivo, são mais para álbum.

 Miguel Kaveirinha: Sim, foi mais um concerto virado para o público, virado para a festa. Foi mais uma selecção, não bem um best of, mas daquelas músicas que sabemos que as pessoas se divertem porque essencialmente o que fizemos aqui foi uma festa. Não só por nós, mas também pelas bandas que convidamos, os Beyond Carnage, os Dogma e os Bleeding Display que é tudo pessoal amigo que conhecemos há longos anos.

 

 SR: Foi para matar saudades? Quando foi a última vez que tinham tocado?

 Miguel Caverinha: Sim, a ultima vez que tínhamos tocado foi o ano passado no Moita Metal Fest que marcou o regresso da banda.

 

 SR: E porquê este hiato?

 Miguel Kaveirinha: O hiato aconteceu porque as pessoas, essencialmente o Rúben tinha outros objectivos de vida e foi pai e teve que tomar outras decisões em termos pessoais e nós como amigos dele compreendemos. Não criticamos e nem levamos a mal. Chegamos a uma altura que experimentamos a ver se funcionava ou não funcionava, durante 2 anos parar um bocadinho… ver como é que a vida se desenrolava. Também tínhamos o nosso baterista na Noruega a trabalhar…

 Bruno Henriques: Eu estava no Algarve, o baixista estava em Leiria… estávamos todos espalhados…

 Miguel Caverinha:  Lá está, se queremos ter uma banda temos que estar juntos porque senão acaba por ser um bocado difícil de trabalhar, não funciona.

 Bruno Henriques: A malta ainda tentou a cena do eu gravo e mando e tu gravas e mandas…

 Miguel Kaveirinha:  Ensaios remotos e skype e...não funciona… não é a cena… não dá. Então demos todos um prazo de 2 anos ainda com os antigos membros e depois voltamos a conversar e havia membros cujos projectos de vida iam noutra direcção e fomos ao mercado de Inverno e adquirimos novos elementos. Falamos com o Pedro Dias e falamos com o Pedro Correia. O Pedro Dias até pensamos ser uma escolha improvável por estar há tantos anos com Invoke, mas acabamos por experimentar e funcionou muito bem, assim como com o  Pedro Correia e completamos a team.

 Bruno Henriques: É uma colectividade, um conjunto.

 

 

SR: E de que forma é que estas novas aquisições influenciaram este novo trabalho?

 Miguel Kaveirinha:: Não influenciam.

 Bruno Henriques: Não é bem influenciar, mas dão um impacto diferente.

 Miguel Kaveirinha:  É assim vou falar da banda e do conjunto. O conjunto é o resultado do que cada um de nós quando entra contribui para a banda. O baterista tem uma maneira de estar, o vocalista tem outra métrica outra forma de cantar, tem outro tipo de letras é natural que isso se reflita porque são pessoas diferentes e o que nós fazemos é uma conjugação de tudo o que cada um tem e os seus gostos pessoais.

 Pedro Correia: E acaba por ser uma mistura de géneros, não é só folk ou só viking… é uma mistura de estilos. O que nós fazemos é ir buscar a cada género ou cada estilo o que é preciso para aquela música para fazê-la funcionar.

 Miguel Kaveirinha:  Nós nunca assumimos ser uma banda só folk ou só viking exatamente porque temos muitas outras influências. É uma mescla, sem grande compromissos. Eu não gosto de rótulos. É claro que o baterista é um grande pilar numa banda e o vocalista que também era membro fundador era outro grande pilar da banda, mas quando o Pedro Dias entrou fez a cena dele porque o objectivo nunca foi ele fazer uma cópia ou uma réplica do que existia. Temos que dar essa liberdade não podemos ser fechados a isso.

 

 

SR: E este novo pessoal trouxe novas influências?

 Miguel Kaveirinha: Claro que sim. E nós voltamos aos nossos 18, 20 anos, um bocadinho. Nos ensaios há aquelas palhaçadas, as brincadeiras… sabes como é… nós brincamos e isso também nos faz como banda.

 Bruno Henriques: A banda também é isto. Não é só ir ali fazer uns ensaios e debitar umas notas. Também são as brincadeiras, as palhaçadas, esta cumplicidade e acho que isso também se nota em palco. E o público reage a isso e liga-se a nós e a essa cumplicidade. E nós queremos ter essa ligação. Gostamos mais dessa parte intimista.

 Miguel Kaveirinha: Nós não fazemos isto só por nós, fazemos isto pelo público. Tentamos montar um espectáculo a criar essa empatia com o público que é esse o nosso objectivo. Não fazia sentido ser de outra forma, pelo menos para nós. É difícil criar esse laço com o público, mas connosco, de alguma forma isso tem vindo a acontecer naturalmente.

 Bruno Henriques: A tua postura em palco passa para o público. Eu às vezes vejo posteriormente fotos dos concertos e é rara aquela que não esteja a rir e isso é um reflexo. Eu estou a rir e quem está ali à minha frente também se está a rir comigo. Ou seja as pessoas vivem um bocadinho o concerto da mesma forma que o estamos a viver. Se estivermos a fazer frete o público também sente...

 

 

SR:  E contem lá um bocadinho da história de Gwydion?

Bruno Henriques: Primeiro vieram os dinossauros e depois vieram os Gwydion.

 Miguel Kaveirinha: A banda formou-se em 95. Eu já entrei em 97/98.

 Bruno Henriques: A nossa primeira participação foi num festival em Talaíde cuja eliminatória ocorreu dentro da morgue. Ainda hoje se fores à capela de Talaíde acho que ainda está lá o cartaz com os Gwydion na casa mortuária. Pelo menos mandaram-me a foto há uns anos atrás. Quem ganhasse depois iria tocar num evento posteriormente, mas já com o palco cá fora, uma espécie de Mortuária Open Air.

Nunca definimos um estilo, mas sempre houve aquela onda celta, sempre gostamos da mitologia nórdica e achamos curioso a mitologia e a cultura que é muito rica. Não são só barbas. São grandes artesões, são grandes artistas , foram grandes conquistadores. Os vikings fazem parte dessa História, da nossa História também e começamos a enveredar por aí. Por sorte a nossa editora Trollzorn conseguiu-nos uma torné a Ragnarok Aaskerei’s Tour onde tocamos com bandas como os Tyr, Hollenthon, Alestorm, Svartsot, bandas que ouvia em casa e era super fã que também nos influenciou bastante. Nós tocamos 26, 27 vezes na torné e a primeira coisa que fazíamos quando saiamos do palco era irmos ver as bandas. O que eles faziam, como funcionam e aprender… Os nossos caminhos vão-se traçando.

 

SR: Qual é a diferença para vocês entre o Veteran e o Thirteen?

 

Miguel Kaveirinha: o Veteran foi feito numa altura de resoluções da banda. Não quer dizer que não seja um bom álbum, mas já foi numa fase diferente da banda que não estava com “pica”.

 Bruno Henriques: Estávamos um bocadinhos mais pesados, mais carregados, mais escuros emocionalmente.

 Miguel Kaveirinha: O Thirteen está entre Horn Triskelion e o Veteran. Ou seja, nós voltamos um bocadinho atrás, à nossa escola e assumimos mais coisas, assumimos mais o death metal e fomos buscar mais outras coisas.

Bruno Henriques:  Mas mais importante é que continua a ser Gwydion.

 Miguel Kaveirinha: Sim, continua a ter a nossa sonoridade de alguma forma, a nossa maneira de compor, os nossos re-mixes, mas está diferente, está um bocadinho menos “afolkalhado” e um bocadinho mais “ametalado”. É uma direcção que estamos a tomar, não quer dizer que tenha sido planeado, mas é o que nos está a soar neste momento. Isto também é por ondas, sabes que a música funciona por ondas e também vais ouvindo outras coisas.

 

 SR: E como funcionam em termos criativos?

 Miguel Kaveirinha: Gwydion tem uma característica: letras é departamento do vocalista. Nós temos essa linha que separa.  O historiador é o vocalista. E o Pedro Dias cumpriu esse papel muito bem. Foi difícil para ele, mas pesquisou e fez as letras muito bem construídas, com bons chavões e historicamente corretas e ficou muito bom. A parte da música é um bocadinho de todos. Cada um dá a sua contribuição, não se força nada. Vai-se montando a coisa.

 

SR: E como acham que foi hoje a recepção por parte do público a Thirteen?

 Miguel Kaveirinha: Nós tivemos problemas com a nossa anterior manager e o Veteran não saiu. Deixamos uma editora por sugestão dela e chegamos ao final, nem editora, nem distribuição , nem nada. Um álbum que temos em casa, em caixas. Com o Thirtheen temos tido boa aceitação, boas reviews e um bom feedback na página de forma geral, não só em Portugal, mas lá fora também, Itália, Alemanha. Republica Checa… e acho que é positivo.

 

SR: E editora atualmente?

 Miguel Kaveirinha: Editora atualmente não temos. Temos uma parceria com a Ultraje que nos faz a distribuição e acho que está a funcionar muito bem, as coisas estão a chegar aos sítios.

 Bruno Henriques: Acho que estão a fazer um trabalho muito fixe. É pessoal com vontade de nos ajudar.

 Miguel Kaveirinha: E depois também estamos com uma rapariga que faz a parte de Relações Públicas e no conjunto esta parceria conseguiu meter o álbum cá fora e com exposição. Acho que é uma fórmula vencedora. E depois como é um álbum um bocadinho “ do it yourself “ também houve a ajuda de muitos amigos. E daí ser como foi referido um álbum de amigos para amigos. Porque se não tivesse sido assim isto não saia. Fizemos um crowdfunding que não funcionou e quando contactamos as pessoas para a devolução, 98% voltaram a fazer pre-order e foi com esse dinheiro que fizemos o álbum, portanto temos que agradecer às pessoas pelo voto de confiança e nós estamos cá para fazer e cumprir.

 

 SR: E agora as próximas datas?

 Bruno Henriques: Vagos Metal Fest e Iberian Warriors Metal Fest.

 

 SR: Qual a mensagem que gostariam de deixar para o público?

 Miguel Kaveirinha: Divertirem-se. Enquanto estamos no palco devemos fazer o que gostamos e que nos dá na gana e o mesmo deve servir para o público.

 Bruno Henriques: Eu acho que temos mesmo que fazer aquele clichê do agradecer. Agradecer pelo apoio monetário, agradecer por virem. Foi uma adesão espectacular, a cantarem, a curtirem o concerto e a viverem o concerto connosco.

 

SR: Obrigada!