Entrevista Exclusiva de Lunah Costa aos SIStema

 

No dia 10 de Outubro, esta banda de Parede, aventurou-se a vir apresentar-se ao Porto, no Heavens Club, a convite dos Templários do Rock e aceitaram receber-me de braços abertos e cerveja na mão.

Os SIStema, acima de tudo, são pessoas cuja companhia não podia ser mais agradável e divertida. São músicos por gosto, não por fama nem por "mania". E isso reflete no trabalho deles e nos seus espetáculos.

Estão na música porque se gostam de fazer o que mais lhes dá prazer:  tocar, divertirem-se e beber! E por isso são verdadeiros músicos do Punk Hardrock  do mais puro e duro.

Como todos os músicos nacionais, correm o país com as dificuldades com as quais não se deveriam sujeitar:  as despesas, a falta de condições  e a falta de apoio quer financeira quer do próprio púbico, apesar de terem sempre a casa bem recheada.

Foi com enorme prazer que estive à conversa e a assistir ao sound-check destes "moços" bem humorados (apesar de terem feito uma viagem de mais de quatro horas).

Começo por apresentar o fundador da banda, Raffa. Ele também é o compositor, baixista e vocalista. Um grande senhor! Mesmo sendo conhecido pelo "anão" da banda.

Na bateria temos sempre com uma gargalhada sonora, o Alex, sempre a partir os pratos!

Na guitarra ritmo, temos o Mosk, o intitulado "intelectual" da banda.

E por fim, temos o Fininho na guitarra a solo, a versão portuguesa do Slash.

Depois de vos ter apresentado a formação, vou agora passar à entrevista, para conhecerem um pouco o percurso da banda, as suas dificuldades e opiniões sobre o panorama "pesado" em Portugal.

Lunah Costa

 

 

 

Lunah Costa: Boas! Gostaria de saber, para começar, como surgiu a ideia de formarem uma banda?

Raffa: Eu quis tocar numa banda, não queria estar parado. Mas para formar uma banda, acima de tudo, é preciso haver amizade. Uma banda só se forma assim, pela amizade e companheirismo.  Não importa se tocam bem ou mal, o que importa é a amizade entre os elementos.

 

L.C: Até à data, quantas formações os SIStema tiveram?

Raffa: Eu tive uma formação anterior, que era a Joana na bateria, a Ana na voz e eu era guitarrista, o outro guitarrista era o Papu e o Bill no baixo. Fizemos uns concertos, depois cada um foi para o seu lado, por motivos pessoais (casaram, filhos e profissionais) e então a banda acabou. Retomamos em 2012, comigo na voz e baixo, nas guitarras o Mosk e o Fininho e o Alex na bateria.

L.C: Porque o estilo PUNK?

Raffa: Eu sempre fui Punk, nunca fui outra coisa (risos). Mas com os novos membros, cada um dá o seu toque. O Fininho é mais do hardrock e isso acaba por influenciar o resultado final.

L.C: Como surgiu o nome da banda?

Raffa: SIS, a secreta que ainda hoje existe, dizem que não, mas existe e Sistema em referência ao Sistema de SIS.

L.C: Têm algumas bandas que influenciam o vosso trabalho?

Raffa:Eu tenho influências do Punk, o Alex mais do Punk Hardcore e o Fininho do Hardrock.

Fininho: Especialmente Guns and Roses ,como é visivel, (risos).

Alex: eu às vezes fico na bateria a dar-lhe mais Punk Hardcore, como Ratos do Porão, e o Fininho e o Mosk  dão-lhe mais para o rock. Eles já se conheciam antes.

-Fininho: Sim, trabalhamos juntos no Mcdonalds (risos).

 

L.C: As vossas letras têm algum assunto definido ou é variável?

Raffa: Sou eu que escrevo. Falo na minha vida, de copo na mão (risos) e no meu dia a dia.

L.C: Como funciona o vosso processo de composição? Todos os elementos contribuem ou há um membro com essa responsabilidade?

Fininho: Normalmente, o Raffa chega ao ensaio com uma ideia e depois cada um dá o seu cunho pessoal. Eu tento dar um toque mais hardrock mas sem fugir muito daquilo que é SIStema.

Raffa: Temos algumas músicas antigas que agora estão diferentes porque os membros da banda mudaram e vieram trazer novas coisas, novas ideias.

L.C: Têm algum EP ou album para breve?

Raffa: Não, lançamos o "Caos" faz agora um ano. Por isso ainda o estamos a promover nos nossos concertos. Custa 5 euros, se quiserem comprar (risos).

L.C: Qual é o vosso principal objetivo enquanto banda?

Fininho: Chegar ao paraiso (risos).

Raffa: Divertimo-nos muito. Beber muito e curtir muito. Se conseguirmos lucrar com isso, melhor claro.

Fininho: O Punk é um bocado mais pelo gosto.

Alex:  Fazemos música por gosto, o resto vem por acréscimo. Se fizermos por fama ou por dinheiro, estamos lixados.

Mosk: Acima de tudo, fazer música. É isso que nos dá prazer.

 

L.C: Relativamente a concertos, é relativamente fácil conseguir concertos no nosso país?

Raffa: Através de conhecimentos, torna-se fácil. Mas infelizmente neste país, dá mais despesas do que lucro. O que ganhamos é a porta, comissão por pessoa. Há bares que nem oferece bebidas ao pessoal, outros sim.

Fininho: Por acaso nisso temos sorte, porque temos  quarto casas amigas em Lisboa que podemos sempre tocar.

Raffa: Vir cá ao Porto é sempre mais arriscado, mas conheci o Lourenço ( Templários do Rock) que nos convidou e tivemos todo gosto em vir, como nós também já os convidámos para irem a Lisboa.

L.C: Que tipo de entraves costumam encontrar?

Alex: As despesas. As vezes nem ganhamos para as cobrir. Para pagarem a bandas de fora, há todos os investimentos e ajudas, as bandas nacionais é o que não.

Fininho: Por  exemplo, nós gostamos de convidar bandas do norte a irem a Lisboa tocar, mas nem sempre nos metemos nisso porque não dá para garantir que vão ganhar para as despesas e nós também gostamos de garantir o mínimo possível, não queremos deixar ninguém ficar prejudicado, gostamos de proporcionar as condições mínimas.

Mosk: Mas lá esta, como nós arriscamos a vir aqui ao norte, outras bandas tem que arriscar a ir ao sul.

L.C: Como é a reação do público nos vossos concertos?

Alex: Depende muito da zona do país. O pessoal do norte e sul, adere muito mais que o pessoal do centro de Lisboa. Arredores de Lisboa corre bem, mas no centro nem sempre.

Fininho: O público de Viana e Esposende, por exemplo, adere muito mais que em Lisboa. Aqui no norte o público adere mais a este tipo de eventos. Nota-se que vão aos concertos para ouvir e não para avaliar os erros dos músicos como dão a sensação o pessoal de Lisboa. São mais da pesada, curtem mais.

Mosk: E não só, já fomos mais a sul como Alentejo e o público também adere muito. Apenas Lisboa centro é que o público já não adere tanto.

Alex: Em 2013, em Março, fomos a Coimbra, e o concerto foi tipo numa república e o público foi muito bom,fizemos grande concerto!

L.C: Na vossa opinião, o pessoal apoia as bandas no sentido de irem assistir aos concertos de bandas nacionais?

Raffa: O pessoal prefere esperar pelo Verão para irem aos festivais verem bandas estrangeiras, que muitas vezes não têm nem metade da qualidade das bandas  nacionais que fazem o seu melhor com as poucas condições que têm. Gastam muito mais que trinta euros enquanto que a ir aos concertos das bandas nacionais gastariam muito menos  e ouviam boa música. Dão mais de cem euros nesses festivais com bilhetes, comida e bebida, mas apoiar as bandas nacionais, esquece.

Fininho: Também hoje em dia há mais oferta de bandas do que nos anos 90, quando o Raffa começou a tocar. E o público começa a dispersar. A perder a vontade de conhecer novas bandas.

Alex: O pessoal ainda pensa que o que vem de fora é que é bom, e não é assim! O público prefere pagar para ver bandas estrangeiras do que nacionais, e assim, a música nacional corre riscos. Preferem ver bandas de pouca qualidade mas que vêm de fora do que ver bandas de cá mas com muita qualidade!

Raffa: Se por exemplo, uma banda tocar sempre na mesma zona ou no mesmo local, o pessoal pode ir a um ou a dois concertos mas já não vai mais. Mas neste momento, tudo o que aparece para tocar, a gente aproveita. Mesmo que não se tenha lucro, divertimo-nos e cada vez que se toca, melhor vamos tocando. Temos que aproveitar todas as oportunidades e arriscar.

 

 

 

L.C: As redes sociais são ou não essenciais para ajudar a divulgar o trabalho de bandas em "progresso"?

Alex: Acho que isso veio a estragar um pouco. Antes para o pessoal conhecer, tinha que se mexer, ir a concertos. Hoje em dia basta ir ao facebook e têm lá tudo. Basta irem a net e ouvem música. Antigamente não! Saiamos há rua à procura de cartazes de concertos. As próprias bandas iam para a rua divulgar. E nesse tempo os concertos tinham mais valor, eram mais valorizados! Hoje em dia parece mais banal. É só mais um concerto. Se a banda for grande, acho que ajuda. Mas se a banda for pequena, que ainda está a crescer, acho que não é o melhor meio de divulgação.

Raffa: Sim, clicam"gosto" por clicar, dizem que vão aos concertos e não aparecem.

Fininho: É uma boa ferramenta, mas não podemos fixarmo-nos apenas nisso.

Mosk: É uma boa ferramenta de divulgação, na minha opinião. Para divulgar em outros meios, é preciso algum investimento, como cartazes pela rua, enquanto o facebook é gratuito e toda a gente tem acesso. Mas atuar continua a ser o melhor meio de mostrar o trabalho de uma banda.

 

L.C: Para finalizar, se tivessem que dar três boas razões para convencerem o público a ir aos vossos concertos, quais seriam?

Raffa: Temos boa música, muita bebida e porque somos bonitos (risos). Cheers & Beers!