Entrevista All Against

Os All Against em entrevista a Margarida Salgado

Texto: Margarida Salgado, Foto: Banda

Os All Against são uma formação da área de Lisboa cuja inicio ocorreu no ano de 2015, confira tudo nesta entrevista dada ao Som do Rock e realizada por Margarida Salgado.

SR: Como que é que a banda começou?

 Bruno Romão: O início de história de All Against começa com um power trio. Eu, o Cristiano e o Luís, o antigo baixista. Começamos nos finais de 2015 com o André a entrar em contacto connosco e acabando por entrar para a banda em 2016. Depois tivemos uma fase de teste com vários vocalistas até encontrarmos o Rui Miguel através do Hugo Andrade dos Switchtense.

 Cristiano Estevão: Nós também já tínhamos algum trabalho feito e a gravação de alguns take diretos daí ele (Rui Miguel) também já conhecer o material e ter acesso. Ele começou por ouvir esse material e enquadrou-se bem. Até ao momento tem evoluído bastante aliás como todos nós. E depois começamos a dar concertos. O primeiro concerto foi no Hell in Sintra.

 

 SR: E porquê All Against? Todos contra o quê ou quem?

Bruno Romão: Eu vou-te explicar. Esse nome nasce andava eu à procura de baterista e falo com o Pedro dos Fear the Lord que estava a tocar em Dharma também. E tinhamos marcado fazer uma cena, mas havia sempre alguma coisa a impedir. Ou ele não podia ou eu não podia... parecia que havia sempre alguma coisa contra. E nós diziamos: Epa queremos fazer alguma coisa e está tudo contra. E achou-se assim o nome da banda. Alias o nome inicial era All Against Us ( tudo contra nós), mas depois pensei: espera aí! Também não quero ser tão agressivo... e ficou só o All Against e acho que fica melhor.

 Rui Miguel: Também uma coisa que me chamou a atenção foi o nome e o thrash pelas ideias que nós temos. Agora por exemplo nestas letras novas acho que mudou bastante.

 

 SR: Estes novos temas têm um contexto social dominante nas letras, daí também a pergunta anterior. O nome tem alguma coisa a ver com a vossa mensagem ou é mera coincidência?

 Rui Miguel: Também!

 Bruno Romão: Eu tenho uma vertente um bocado punk e não posso esconder muito isso.

 Rui Miguel: E eu procuro também escrever com esse intuito. Ser dentro do contexto até mesmo do próprio nome da banda. Até pode levar mais tempo, mas pelo menos que faça sentido e que a mensagem passe.

 André Carvalho: Sim, sem dúvida que este EP é mais conceptual.

 Cristiano Estevão: Sim está mais consistente.

 Bruno Romão: Sim. Em termos de letra, imagem... foi uma aposta. Em vez de cada um estar a trabalhar para o seu lado pensamos: vamos para estudio, a capa manda-se fazer vamos fazer as coisas como deve ser. Gasta-se mais dinheiro? - Sem dúvida! Mas vale a pena. O resultado está à vista de todos. Isto não foi propriamente investir para gravar uma demo tape. Um gajo investe é para fazer uma cena que saía em condições e com qualidade para poder também ter orgulho naquilo que fez. Dizer: Tá aqui, fizemos!

 Emanuel Carmo: E quando é para fazer as coisas a nível profissional tem que se pagar. Sem custo nenhum nunca saí com a mesma qualidade. Não se saí do mesmo patamar.

 Bruno Romão: Alias, as músicas do primeiro EP se estivessem gravadas com esta qualidade, mesmo não sendo este tema teria ficado completamente diferente. Alías se eu pudesse, mas isso acrescentaria mais custos eu colocaria ainda neste EP “All Against“ e “Sociedade Hostil“. É a passagem.

 Emanuel Carmo: Talvez um dia se faça um terceiro EP, nunca se sabe.

Bruno Romão: E para ir gravar não faço intenções de ir gravar a outro lado. É na Demigod Recordings com o Miguel Tereso. O feedback tem sido acima de tudo, brutal. Desde as reviews em vários canais e páginas a divulgar o nosso trabalho e isso é bom. É motivo para nos sentirmos orgulhosos, eu acho que sim.

 

 SR: Para além do que já aqui referiam, quais as principais diferenças para vocês entre o primeiro EP e este?

 Bruno Romão: Acho que a consistência das músicas. No primeiro EP as músicas foram de uma primeira origem de composição e estas músicas já são mais pensadas, mais trabalhadas.

 Rui Miguel: Procuramos aquele tema já de propósito.

 Bruno Romão: A parte da composição. Já não é aquela cena... não é dizer que as outras músicas são básicas, mas estas já foram pensadas de maneira diferente.

 Rui Miguel: A “Feed the Machine” ao princípio o trabalho que deu a mim e a eles: corta, faz e agora aqui acrescenta-se… A música nem era nada assim.

 Bruno Romão: Aliás a “Feed the Machine” nem era para ser gravada. Era a “Sociedade Hostil”. Mas à medida que fomos tocando a música no ensaio e fomos ouvindo a música a ganhar vida, a ganhar corpo… foi unanime: isto tem que estar gravado!

 Emanuel Carmo: Eu entrei quando já estava a ser gravado este EP e ouvindo os dois, a parte das músicas neste serem mais trabalhadas nota-se perfeitamente. As passagens são bem feitas, há alterações de bpm que é uma coisa difícil de fazer para soar bem, porque normalmente quando se altera a velocidade das músicas, às vezes parece que chega ali a um sitio e parece que “tranca” e arranca-se para outra, não há passagem e quando entrei vi o trabalho que estavam a fazer nota-se que foi bem pensado.

 Bruno Romão: Se não houvesse essa evolução alguma coisa de errado estavamos a fazer. Esta formação aqui tem...

 Rui Miguel: Eu estou na banda há um ano e tal.

 Bruno Romão: E nunca tinha tido experiência de banda.

Emanuel Carmo: Mas ele surpreende por causa disso. Ele sem experiência nenhuma é muito melhor frontman do que a maior parte dos que conheço.

 Bruno Romão:  Eu acho que acima de tudo uma coisa que se tem que saber fazer é interagir com o público e fazer com que o público se sinta parte do concerto. Um gajo não pode estar naquele estandarte: eu estou a tocar e vocês estão a ouvir. E as nossa musicas puxam. Dá pica ouvir as musicas, dá pica tocar e quando vejo e oiço os videos gravados ao vivo consigo sentir consistencia nas músicas.

 Rui Miguel: Todos temos falhas nós e as outras bandas também, mas nota-se que já temos muito mais cumplicidade.

 Bruno Romão:  Isso são coisas que levam o seu tempo e não te esqueças de uma coisa, a maior parte de nós que estamos aqui nem nos conheciamos.

 Rui Miguel: Ninguém se conhecia.

 

 SR: Como caracterizam a vossa sonoridade neste momento?

 Rui Miguel: Eu pessoalmente acho que a base é o thrash, mas não é só thrash. Nem consigo definir.

 Bruno Romão:  Um gajo estar a dizer: isto é só thrash! Não, não é!

 Emanuel Carmo: Quando a gente estiver assim com muita dúvida a gente diz que é metal. Uma coisa que a mim me faz confusão é falar com pessoal de bandas e perguntar qual o estilo de metal que tocam e eles dizem-me 30 subgéneros de metal: é death/ prog/speed/melodic/ não sei quê/ fucking metal e eu no fim fico assim: então mas isso é um porradão de cenas e nem me estás a dizer que estilo é. Acabaste de me dizer 4 ou 5 estilos diferentes. Ah, mas é porque aqui como tem teclas é sinfónico…. Tem teclas, tem teclas, não quer dizer que seja sinfónico! Tem lá calma com isso… Mas isso é só a minha opinião. Eu acho que em vez de estar a alongar muito o que é o género da banda, simplifica-se um bocadinho mais. Apresentamo-nos como thrash que é o que tem sido até agora e acho que é o mais indicado porque a base vai por ali. Não temos que acrescentar por cada música que temos o estilo que é senão daqui a pouco somos uma banda de metal com 20 subgéneros… e no fim há sempre o fucking metal a acabar para parecer que somos mais fodidos ainda. É bué mariquices! Eu adoro metal e metal tem uma coisa muito boa que é crú, é aquilo. Chegas ao palco e toma! Não estás lá com mariquices. E depois quando é para dizer a definição são estas merdices. E esta banda tem isso, chega a palco manda aquilo que tem para dar, acaba a música não há cá brilharetes, nem coisinhas… é: começa a música, acaba a música; próxima! E o concerto é feito assim que é o conceito verdadeiro para mim do que é metal.

 Cristiano Estevão: In your face!

 

 SR: E como funcionam em termos criativos?

 Rui Miguel: Quem compõe mais aqui é o Romão.

 Cristiano Estevão: em termos riffs, sim.

 Rui Miguel: A maioria das letras também foram escritas por ele. Mais recentemente temos a “Feed the Machine” e “Sociedade Hostil” que foram Againstescritas por mim e um amigo meu…

 Bruno Romão:  Basicamente eu trago uma base, mas depois altera-se e é a palavra de todos.

 

 SR: E a opção de ter temas em português e inglês é para manter?

 Rui Miguel: Eu acho que sim, espero que sim.

 Bruno Romão:  Eu também acho que sim. Aliás de todas as bandas que tive esta é a primeira com músicas em inglês. As músicas têm é que ter sentido, têm que ter uma mensagem.

 

 SR: Qual tem sido o feedback que têm tido em relação ao EP?

 Bruno Romão:  Eu acho que tem sido peremptório. As redes sociais têm uma coisa boa e uma coisa má: dão-te a entender uma coisa, mas às vezes não é bem assim. Vou dar-te um exemplo. Eu faço uma publicação da página dos All Against e vejo que tem um alcance de 200 pessoas e eu fico a pensar: então, mas eu no meio de mil e tal “likes“ só chego a 200 pessoas?... Não é bem assim, tu chegas até a mais. Porque eu falo com muita gente que me diz e toda a gente já viu a publicação, mas pela informação do facebook aquilo chega só a 200 pessoas.

 Emanuel Carmo: Eles dão as estatísticas, mas acho que muitas vezes não são as corretas para ver se gastas dinheiro a promover a publicação. Eu alcanço mais pessoas a fazer a mesma publicação no meu perfil que alcanço a fazer numa página? Isso não faz sentido…

 Bruno Romão:  Mas tirando isso... Sim, o feedback tem sido muito positivo. Os videos que já fizeram de reviews, já passou na rádio, na S.O.S. Heavy – Metal Radio Show. Tem sido muito bom.

 

 SR: Quando é que vai sair o EP?

 Bruno Romão:  No dia 29 de Setembro.

 

 SR: Vai sair de que forma?

 Bruno Romão: Neste momento em formato digital. Vai estar no Spotify, Apple Music, Google Play‎... nestas plataformas todas a pagar e no Bandcamp online.

 

 SR: O EP tem sido um investimento particular vosso?

 Bruno Romão:  Sim, juntamente com alguma coisa que se faz dos concertos e o dízimo que damos todos os meses vamos juntando e fazendo como podemos.

 

 SR: E como se chama o EP?

 Bruno Romão:  “Feed The Machine“.

 

 SR: Que eventos terão nesse dia?

 Bruno Romão:  Iremos ao programa da Telma Dourado na Popular FM das 16h às 17h com a passagem do EP em exclusivo.

 Rui Miguel: Depois a partir das 21h estaremos no evento da SFTD Rádio e o XXXapada na Tromba, o Back To Skull, no RCA Club.

 Bruno Romão:  Antes disso estaremos com o António Fretitas na Antena 3, no dia 26 de Setembro e será uma ante-estreia do EP.

 

 SR: Qual a mensagem que gostariam de transmitir ao público quando estão a tocar?

 Emanuel Carmo: Metal é para ser puro e cru e dar-se tudo o que se tem para dar. É dar a energia máxima em todas as músicas e acabar o concerto em “altas” para transmitir o contexto das nossas músicas.

 Cristiano Estevão: Mostar  a dedicação ao público e o trabalho que temos desenvolvido. E receber o feedback do público, seja positivo ou negativo desde que seja construtivo. É sempre bem vindo.

 André Carvalho: É um pouco o que o Cristiano disse. Principalmente mostrar o trabalho.

 Bruno Romão: Alegria! Um gajo estar a curtir em cima do palco é uma das melhores coisas que pode haver. A mendsagem está lá nas nossas músicas, mas é a alegria do estamos aqui, gostamos do que fazemos e vamos embora!

 Rui Miguel: É libertar-me e festejar.

SDR: Obrigado