Entrevista a RASGO

Por: Paula Antunes

Hintf: Olá e antes de mais obrigada pelo vosso tempo para com esta entrevista! Queremos saber como surge a ideia da formação de Rasgo e de que forma trabalharam até chegarem a nós de rompante?

Sarrufo- A banda surgiu de forma muito espontânea, não foi nada de muito planeado no inicio...Como já contei diversas vezes os 31 tinham parado em 2010 e eu estava sem banda, fui juntando algumas ideias e em 2103 decidi gravar um desses temas para ver como soava. Convidei dois amigos para me darem uma ajuda (Kae Bateria e TD voz) e gravei o “Propaganda Suicida”, de seguida partilhei essa música nas redes sociais e entre as várias mensagens de apoio, recebi uma do Ruka em que dizia ter gostado muito do tema, para levar o projecto em frente e que me ajudaria no que estivesse ao seu alcance, etc... Eu já o conhecia de longa data e desafiei-o para se juntar a mim nesta aventura. Ele na altura não estava com muito tempo e as coisas ficaram meio no ar...entretanto infelizmente o Ribas faleceu e encontrei-me com o Ruka no funeral...quando me despedi  do Ruka no final ele perguntou se sempre íamos em frente com os Rasgo? O facto de me falar de Rasgo numa hora tão triste e difícil para ele fez-me perceber bem a importância que a música tinha para ele...De repente as peças encaixavam-se, fazia todo o sentido unirmos forças para erguer este projecto e a partir dai começamos a trabalhar para montar a banda.

Hintf: Os Rasgo entram de rompante na nossa cena musical atual e é inevitável que vos olhemos e ouçamos como uma nova superpotência do metal nacional, tendo em conta o vosso historial musical pessoal e com a normal e sã curiosidade de acompanhar esta nova formação. Que influências e inspirações trazem dentro de Rasgo?

Sarrufo- As nossas principais influências em termos musicais são bandas que ouvíamos nos anos 80 e 90 e que marcaram as nossas vidas, principalmente as bandas de Thrash e Crossover ! Também há influências de outros estilos e de coisas mais actuais mas a raiz é essa.

Hintf: Optam por trabalhar a vossa musicalidade na velha língua de Camões, uma opção unânime? Consideram ser esta a melhor forma para transmitirem a vossa mensagem?

Sarrufo-A questão da língua na verdade nunca foi uma questão... sempre escrevi em português, é normal para mim talvez por ser a nossa língua! J  Se uma banda opta por cantar noutro idioma é normal que exista um motivo, mas se canta na sua língua julgo que não tem de haver motivo nenhum e é isso que acontece nos Rasgo. Considero que o Português  é uma excelente forma de passar a mensagem mas estou ciente que poderá haver uma altura em que o Inglês possa ser também uma porta , não temos nenhum complexo em relação a isso e faremos o que acharmos melhor em cada altura. Uma coisa é certa as musicas serão sempre originalmente em Português mas podem ser adaptadas para outros mercados.

 

Hintf: ‘Ecos da Selva Urbana’ é o nome escolhido para intitular o vosso primeiro registo, o álbum de estreia lançado em Outubro e com o selo de qualidade da Rastilho Records. Falem um pouco mais deste disco, da sua ideia concetual, que ecos da selva querem que entendamos?

Sarrufo – Pensando bem “Ecos da selva Urbana” é na verdade uma descrição perfeita do que pode ser encontrado no disco em termos de mensagem...São musicas que abordam temas diversos mas que têm entre si essa visão de alguém que vive numa selva urbana e estupidamente competitiva...Há um lado negro, de revolta e raiva que vem das agressões que o mundo moderno tem para nos oferecer. Essa energia atravessa todo o disco! Há algo de punk/Hc  nas letras deste disco mas as letras não se esgotam ai, tentei sempre deixar espaço para o ouvinte projectar a sua imaginação nas letras, no punk é tudo mais directo, aqui há jogos de sombras e nem tudo é fácil.

Hintf: Neste ‘Ecos da Selva Urbana’ optaram por incluir uma versão muito própria de um tema particularmente difícil dada a sua complexidade musical, ‘Cão da Morte’, original dos Mão Morta. Porquê a escolha deste tema? O que tem ele para Rasgo de diferente para ser incluído neste vosso álbum de estreia?

Sarrufo-A ideia de incluir esse tema no disco partiu do Ruka , eu nunca acompanhei muito os Mão Morta para ser sincero, mas o Ruka enviou-me o tema e disse-me para ouvir. Em termos musicais achei interessante mas o que me bateu realmente foi o Poema. Ele tinha a visão de que essa música poderia dar uma boa versão e eu percebi que adaptando a música para o nosso estilo aquela letra tinha bastante força e encarei o “CÃO DA MORTE” como um desafio. No final resultou e tivemos até uma mensagem do Adolfo Luxúria Canibal a dizer que tínhamos conseguido fazer uma boa versão do tema o que nos encheu de orgulho.

Hintf: Quem já vos viu atuar sabe que se sentem muito confortáveis em cima do palco, também fruto da vossa vasta experiência enquanto músicos. Além de terem participado num renomado festival nacional, tiveram também a oportunidade fazer a honrosa e difícil abertura para os thrashers Slayer. Como sentiram e viveram estas experiências numa formação tão recente?

Sarrufo- Vivemos obviamente essas experiências com grande entusiasmo mas também com grande profissionalismo. Levamos muito a sério aquilo que fazemos e por isso preparamo-nos bem para estarmos prontos para subir ao palco e dar o nosso melhor. Estrear num palco como o do Coliseu com uma banda como Slayer não é fácil. Foi uma estreia de sonho sim é verdade, mas se não estivéssemos à altura o sonho rapidamente se transformaria num pesadelo. Por isso há que procurar as oportunidades mas também trabalhar para estar pronto para as agarrar, é isso que fazemos nos Rasgo.Claro que os muitos anos que temos de palco são um trunfo que joga a nosso favor.

Hintf: Quem se encarrega de toda a parte visual da banda? Não só da imagem gráfica, como por exemplo do design simples e limpo dos vossos vídeos (os que não são captações ao vivo  )?

Sarrufo- Há uma preocupação em tentar fazer as coisas de forma verdadeira e genuína mas bem-feitas. Procuramos uma imagem que traduza isso. A visão promocional de fazer um vídeo para cada tema do disco foi do Ruka ,ele explicou-nos bem o que tinha idealizado e nós acreditámos na sua visão. A partir daí juntámos forças e trabalhámos para que essa visão se realizasse. Sabemos que é necessário fazer passar a mensagem e que a imagem tem muita força nos dias que correm, por isso falámos com profissionais da área da imagem (Rui Balão e do Pedro Salvado) e com a sua ajuda fizemos todo esse trabalho.

Hintf: Objetivos imediatos para a carreira de Rasgo? Para quando nova edição discográfica?

Sarrufo-O nosso foco agora está no palco, queremos tocar bastante ao vivo e viver as músicas deste disco! Não estamos já a pensar no próximo, este disco ainda tem muita estrada para andar!

Hintf: Façam ecoar aqui os vossos gritos nesta selva urbana lida pelos nossos leitores e seguida pelos vossos seguidores!

Sarrufo-A raiva que temos para gritar já está bem explicita nos temas do disco e vai connosco para cima do palco por isso julgo que nos resta aqui fazer  é enviar um abraço a todos e agradecer a entrevista! PUXA!

 

Entrevista em exclusivo de Paula Antunes numa colaboração da Hintf WebZine e do Som do Rock