Davi Cruz entrevista Will dos MuckRaker

MUCKRAKER

 

Os Norte-Americanos MuckRaker vão lançar “Karmageddon” a 16 de Janeiro (na Europa via Eternal Sound Records, a edição Americana data de 2014). Este segundo trabalho já lhes rendeu um lugar na tabela dos 5 melhores álbuns no site thatmetalstation.com, bem como algumas opiniões positivas por parte dos críticos. Devo dizer que este foi o meu primeiro contacto com os Muckraker mas, pelo que tenho lido, este último trabalho está na mesma linha do anterior “Big Black Bus”. Essencialmente Stoner/Southern Metal com muito groove e energia, servidos numa linguagem afiada. Por causa disso pensei ser melhor escutar do que escrever e pedi ao baixista, vocalista e compositor Will Price que me respondesse a umas questões.

Davi: Olá Will, em primeiro lugar deixa-me agradecer pela tua disponibilidade.

Will: Obrigado a ti, Davi, por esta oportunidade para poder falar dos MuckRaker.

 

D: Antes de falarmos sobre o “Karmageddon”, uma questão rápida acerca da editora Eternal Sound Records. Porquê esta editora? Tiveram outras ofertas?

W: Fui contactado por alguém da editora através do Facebook. Eles estavam a pesquisar bandas de Stoner Metal e cruzaram-se com a capa do “Karmageddon”. Ela gostou da arte-de-capa, começou a ouvir o álbum no Youtube e adorou o que estava a escutar.

Não, não tive mais nenhuma oferta. Mas quando me disseram qual a estratégia que iam usar para o lançamento na Europa, fiquei bastante excitado e decidi assinar logo com a Eternal.

 

D: Agora em relação ao teu trabalho, é fácil de perceber que quase todas (senão todas) as letras têm um tom crítico, albergando um vasto leque de temas sociais. Verdade?

W: Eu gosto de escrever sobre eventos históricos bem como assuntos mais contemporâneos. Tento sempre fazê-lo de uma forma inteligente e pensada. Nunca irás ouvir um insulto ou algo do género com os MuckRaker. Muitas das nossas letras são acontecimentos do quotidiano transformados em estórias de camponeses e reis, ricos e pobres, pretensos lucros e as pessoas que são enganados por eles, etc.

 

D: Quais são as tuas intenções com as tuas músicas? Gozar com a sociedade, alertar para as situações, ambas?

W: Sou muito político. Penso que a sociedade é muito importante. É um coletivo que nos une. Não é necessário consciencializar. As pessoas passam demasiado tempo com o que não interessa. Precisam de se ocupar com a sociedade e não ser entretidos por ela.

 

D: Os temas das vossas músicas podem ser aplicados à escala global, não apenas nos EUA. Isso é intencional?

W: É intencional. O corporativismo tomou conta do mundo. Em “Rusticus (The Alarm Part 2)” eu falo de algo chamado “Afluenza”. É a doença dos ricos. A ideia de que seres bastante influente torna-te, de certo modo, superior ao resto da sociedade, como que por direito divino. O sonho americano costumava ser ter uma casa, colocar os filhos a estudar sem recorrer a empréstimos e ser capaz de, mais tarde, ter uma reforma calma e relaxada. Agora, o sonho americano é seres rico e lixares toda a gente. Este sonho está-se a espalhar pelo globo, está-se a tornar epidémico.

 

D: Apesar de te focares em assuntos sérios as tuas músicas são alegres e divertidas. Não me interpretes mal mas comparo-vos aos jograis medievais. Tenho razão?

W: MuckRacker é sobre espalhar uma mensagem mas também é divertimento. Eu gosto de músicas que consigas acompanhar a letra assim como abanar a cabeça e ir para o mosh. E gosto da tua referência ao medieval. Mas nós não somos de todo jograis. Somos aqueles que envenenam o vinho do Rei.

 

D: Apesar de tocarem Southern/Stoner Metal usam outras influências. Podemos perceber, por exemplo, partes mais Progressivas e até Punk. Quais são as tuas maiores influências?

W: À exceção do último álbum “I Love The Sword”, os 2 primeiros foram muito influenciados pelo universo The Game of Thrones. Sou um grande fã da série e dos livros. Os inventores do Heavy Metal, Black Sabbath, são os maiores culpados pelo meu amor por este género de música. Down, COC e Clutch são outras referências para mim. Há medida que ia crescendo, um dos meus irmãos costumava ouvir Lynyard Skynyard e AC/CD a toda a hora e também são bandas que aprecio. Rush, Iron Maiden e Molly Hatchet também tiveram um papel fulcral na minha orientação enquanto músico.

 

D: Em relação à última faixa “Too Much Metal For One Hand“. É algum tipo de tributo aos vossos fãs ou alguma afirmação vossa, enquanto banda?

W: Nenhuma. É apenas sobre nós, músicos e metaleiros. É sobre crescermos enquanto pessoas e criarmos laços com um estilo de música que o resto do mundo detesta e sentirmo-nos bem com isso. Chatearmos os nossos vizinhos, fazer mosh nos bosques, ir a locais tocar ou ouvir uma banda em que o púbico estava-se a marimbar para quem estava a tocar. Desrespeito a cada passo que dávamos mas ainda assim continuámos a fazê-lo. Continuámos a tocar, continuámos a ouvir. Tudo porque o metal está nos nossos ossos. E ninguém jamais nos poderá tirar isso.

 

D: Bem Will, chegámos ao final da nossa conversa. Mais uma vez, obrigado pelo teu tempo e agora é altura de deixares uma mensagem a quem estiver a ler isto. Força!

W: Saiam e apoiem os músicos. O Metal é o nosso sangue. Todas as bandas de renome foram outrora desconhecidas bandas locais; essa é que é a verdade. E já agora vejam alguns dos nossos vídeos, fui eu que os fiz.

 

“Karmageddon” https://youtu.be/gD54IHYkdH8

“Rise Of The Loggerheads” https://youtu.be/QDKiu6OUHMs

“All Hail Mary” https://youtu.be/4nNVfl0bbsE

“Red Vulture” https://youtu.be/5wjE25GLnag

“KingMaker” https://youtu.be/fwttQ2IvSIY

 

E obrigado pelo contacto meu amigo. Paz para ti e para os teus.

Will

"Entrevista e tradução para Português por Metal Em Portugal. Podem ler a versão original aqui"

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