A Amplificasom celebra 8 anos

 

A primeira pergunta costuma ser: “como é que tudo começou?”. Hoje, exactamente oito anos depois, ainda não sei responder. O que me fez escrever a uma banda para organizar um concerto? Porquê? Para quê? Não tinha qualquer know-how, qualquer experiência, qualquer ajuda de alguém da área. Lembro-me bem e recordo com carinho de tudo o que vivemos nesse dia, foi realmente especial, foi o início não planeado da nossa/ vossa Amplificasom que hoje celebra 8 anos.

E que 8 anos… Pouco depois dos Enablers, já em 2007, o James Blackshaw na Maia para amigos e pouco mais; os Pelican num Porto-Rio cheio a suar pelas paredes – o Porto mostrava fome por sons diferentes; uns Bossk numa Fábrica de Som cheia – imaginem os Cult of Luna na vossa sala de estar; os Orthodox quase à uma da manhã porque em 2008 as pessoas sabiam que os concertos atrasavam sempre e também nós tivemos que passar por isso; os peruanos La Ira de Dios a tocarem para 16 pessoas; os Ephel Duath pela primeira vez em Portugal; e os Boris; e os Secret Chiefs 3; e os Caspian; o último concerto dos These Arms Are Snakes na mesma noite que iniciávamos uma longa relação com os Russian Circles; o primeiro TRIPS; o primeiro concerto esgotado – A Silver Mount Zion (e mal adivinhávamos que seríamos os responsáveis pelo regresso dos GY!BE); os Nadja e os Monarch; os Wolves in the Throne Room quando poucos queriam saber – isto em 2009; os Earth que nunca mais voltaram a Portugal (e que abraço dei ao Dylan); This Will Destroy You completamente esgotado; a primeira vez dos Kayo Dot; a primeira vez dos Fuck Buttons quando ainda eram um segredo; os Zu e o jantar mais oleoso de sempre que tivemos com uma banda; os ISIS na primeira e última vez em Portugal; Mono já em 2010 num Serralves esgotado; Shin’ichi Isohata, o último aluno da lenda Masayuki Takanayagi; Kylesa na primeira vez que sentimos pessoas a virem de todo o país; Altar of Plagues na Fábrica de Som (verdade, aconteceu mesmo); o Eugene Robinson (esse mesmo) a fazer a primeira parte de Aluk Todolo também na Fábrica; Shellac pela primeira vez em Portugal (!); Sun Araw que agora toca nos festivais de massas; OM pela primeira vez por cá também; Scott Kelly já em 2011 – aquelas lágrimas eram verdadeiras; Arthur Doyle (RIP) cujo concerto originou os nossos primeiros discos; o primeiro Amplifest com Godflesh, Jesu, Acid Mothers Temple, Bardo Pond, Barn Owl, etc etc – foi marcante; Matana Roberts com quase 200 pessoas num Domingo à tarde; os Deafheaven antes de serem o monstro que são; o génio Eyvind Kang; Full Blast com a lenda viva Peter Brötzmann – o que eu tremia quando o fui buscar ao aeroporto; o segundo Amplifest com os Godspeed, Bohren, Amenra, Ufommamut, Oxbow em formato duo; Meshuggah; Cult of Luna (lembro-me que no concerto de Coimbra distribuímos flyers para Pelican, foi mais um sonho tornado realidade); os Metz antes da fama; o terceiro Amplifest com outra lenda – Kim Gordon – e a Chelsea Wolfe, Year of no light, etc; King Dude e o sétimo aniversário; o regresso do TRIPS; o Michael Gira (!) e mal sabíamos (lutávamos, é certo) que neste mesmo ano os Swans iriam passar no Amplifest; Ken Vandermark e Paal Nilssen-Love a ficar para a história dos concertos-mito do Porto; a noite Church of Ra (aqui <3 para sempre); ver a bola com os Kylesa; o melhor Amplifest de sempre com os já mencionados Swans, Ben Frost, Wovenhand, Cult of Luna, Yob, Brötz, Marissa, etc etc etc - às vezes ainda nem acredito neste cartaz; e um Outubro de loucos com salas cheias e esgotadas em Anathema, Future Islands, Maybeshewill, Kadavar e Tim Hecker.

 

Fonte Amplificasom